Dízimo: Obrigação Divina ou Expressão de Gratidão? Uma Jornada Através da Bíblia

 


O dízimo, a prática de devolver dez por cento dos rendimentos à igreja, é um tema que suscita debates acalorados e diferentes interpretações dentro da comunidade cristã. A Bíblia, em suas diversas passagens, oferece uma visão abrangente sobre a prática do dízimo, desde seus primórdios até a era da graça em Jesus Cristo.

Antes da Lei: Abraão e Jacó

Muito antes dos Dez Mandamentos serem entregues a Moisés no Monte Sinai, a prática do dízimo já existia. Abraão, o patriarca da fé, ofereceu o dízimo a Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, como forma de gratidão pela vitória na batalha (Gênesis 14:18-20). Jacó, filho de Isaque e neto de Abraão, também fez um voto a Deus, prometendo devolver o dízimo de tudo o que recebesse, em reconhecimento à provisão divina (Gênesis 28:20-22).

Esses exemplos demonstram que o dízimo, mesmo antes de ser instituído como lei, era uma prática voluntária de gratidão e reconhecimento da soberania de Deus sobre todas as coisas. Era uma forma de expressar fé e confiança na provisão divina.



A Lei Mosaica: O Dízimo como Mandamento

Com a entrega da Lei a Moisés, o dízimo foi estabelecido como um mandamento para o povo de Israel (Levítico 27:30-32). O dízimo era utilizado para sustentar os levitas, que se dedicavam ao serviço do templo, e para prover as necessidades dos pobres e necessitados. Era uma forma de garantir a manutenção do culto a Deus e de promover a justiça social.

Nesse contexto, o dízimo era uma obrigação legal, um dever do povo para com Deus. No entanto, mesmo sendo um mandamento, a motivação por trás do dízimo ainda era a gratidão e o reconhecimento da dependência de Deus.

A Graça em Jesus Cristo: O Sacerdócio de Melquisedeque

Com a vinda de Jesus Cristo, a Nova Aliança foi estabelecida, e a Lei Mosaica foi cumprida em sua totalidade. A carta aos Hebreus, capítulo 7, nos apresenta Jesus como o Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, um sacerdócio superior ao sacerdócio levítico.

Em Hebreus 7:8, lemos: "E aqui certamente recebem dízimos homens que morrem; ali, porém, aquele de quem se testifica que vive". Essa passagem nos leva a refletir sobre a natureza do dízimo na era da graça. Se Jesus, o Sumo Sacerdote eterno, não recebe dízimos, como devemos entender essa prática hoje?


Dízimo na Era da Graça: Uma Expressão de Gratidão e Amor

Na Nova Aliança, o dízimo não é mais uma obrigação legal, mas sim uma expressão de gratidão e amor a Deus. É um ato voluntário de reconhecer a bondade de Deus em nossas vidas e de contribuir para o sustento da igreja e da obra missionária.

O dízimo não deve ser visto como um fardo ou uma forma de "comprar" as bênçãos de Deus. Em vez disso, deve ser uma expressão genuína de amor e devoção, motivada pelo desejo de honrar a Deus e abençoar Seu reino.


Vamos fazer análise sobre o dízimos na Nova Aliança para uma compreensão profunda da transição do Antigo para o Novo Testamento, especialmente no que diz respeito ao sacerdócio e ao dízimo. Vamos explorar e estruturar esse raciocínio com base em referên

 Sacerdócio na Nova Aliança

1. Sacerdócio Real dos Crentes:

    - Referências bíblicas: 1 Pedro 2:9; Apocalipse 1:6; Apocalipse 5:10.

    - Análise: O Novo Testamento ensina que todos os crentes são sacerdotes reais, um sacerdócio santo, e têm acesso direto a Deus através de Jesus Cristo. Isso é uma elevação significativa do sacerdócio levítico, onde apenas os levitas serviam como sacerdotes.

2. Superioridade da Nova Aliança:

    - Referências bíblicas: Hebreus 8:6-13; Hebreus 7:22.

    - Análise: A Nova Aliança é descrita como superior à Antiga Aliança, com Jesus como o mediador de um pacto melhor, baseado em promessas superiores. O sacerdócio de Jesus, segundo a ordem de Melquisedeque, é eterno e superior ao sacerdócio levítico.

Dízimo e a Nova Aliança

1.Dízimo antes da Lei:

    - Referências bíblicas: Gênesis 14:18-20.

    - Análise: Abraão deu o dízimo a Melquisedeque antes da instituição da Lei Mosaica, indicando que o dízimo é uma prática que transcende a Lei. Ele deu voluntariamente e por reconhecimento da superioridade de Melquisedeque.

2. Hebreus 7:8:

    - Análise: "Aqui recebem dízimos homens que morrem; ali, porém, aquele de quem se testifica que vive". Esta passagem sugere que, embora os sacerdotes terrenos (levitas) recebam dízimos, o verdadeiro destinatário é Cristo, que vive eternamente. Isso reforça a ideia de que o dízimo, mesmo na Nova Aliança, pode ser visto como uma forma de honra e reconhecimento a Cristo.

3. Exemplo de Abraão e Nova Aliança:

    - Referências bíblicas: Gálatas 3:7-9; Romanos 4:16.

    - Análise: Abraão é chamado "pai da fé" e os crentes são considerados filhos de Abraão pela fé. Isso sugere que os princípios que ele seguiu, incluindo o dízimo, podem ser vistos como modelos para os crentes na Nova Aliança.

Dízimo como Prática Voluntária e Amorosa

1. Generosidade Voluntária:

    - Referências bíblicas: 2 Coríntios 9:6-7.

    - Análise: Paulo ensina que cada um deve dar conforme propôs em seu coração, não por obrigação, mas com alegria. Isso reflete o espírito com o qual Abraão deu o dízimo a Melquisedeque.

2. Sustento dos Ministros do Evangelho:

    - Referências bíblicas: 1 Coríntios 9:13-14.

    - Análise: Paulo menciona que aqueles que pregam o evangelho devem viver do evangelho, sugerindo que o sustento dos ministros continua sendo um princípio válido na Nova Aliança.

 Conclusão

A prática do dízimo pode ser vista como um princípio contínuo na Nova Aliança, não como uma obrigação legal, mas como um ato de amor, fé e reconhecimento da soberania de Cristo. Assim como Abraão deu o dízimo voluntariamente e por amor, os crentes são chamados a contribuir generosamente e de coração. Na Nova Aliança, todos os crentes são sacerdotes reais e, portanto, têm o privilégio e a responsabilidade de sustentar o ministério e cuidar dos necessitados. Essa perspectiva mantém a continuidade do princípio do dízimo, adaptando-o ao contexto e aos ensinamentos da Nova Aliança.

A jornada do dízimo através da Bíblia nos mostra como essa prática evoluiu ao longo do tempo, desde uma expressão voluntária de gratidão até um mandamento legal e, finalmente, um ato de amor e devoção na era da graça.

Que possamos entender o dízimo não como um peso, mas como uma oportunidade de expressar nossa gratidão a Deus e contribuir para o avanço do Seu Reino. Que o dízimo seja uma expressão genuína de amor e devoção, motivada pelo desejo de honrar a Deus e abençoar Seu reino.

 

HISTÓRIA: O dízimo como expressão de gratidão a Deus e confiança em Sua provisão, resultando em bênçãos e fortalecimento da fé familiar.

 Uma modesta sala de estar, com uma família reunida após o culto dominical.

Personagens:

  • Pai (João): Um homem de meia-idade, com um semblante sereno e acolhedor.
  • Mãe (Maria): Uma mulher gentil, com um sorriso caloroso e olhos brilhantes.
  • Filho (Pedro): Um jovem curioso e questionador.
  • Filha (Ana): Uma adolescente atenciosa e sensível.


Diálogo:

Pedro: Pai, hoje o pastor falou sobre o dízimo de novo. Por que a gente entrega dez por cento do nosso dinheiro para a igreja? É obrigatório?

João: (Sorrindo) Ótima pergunta, Pedro. O dízimo é um assunto importante e que gera muitas dúvidas. Mas, antes de tudo, quero que vocês entendam que o dízimo não é apenas uma obrigação, mas sim uma expressão de gratidão a Deus.

Ana: Gratidão? Mas como assim?



Maria: Lembram da história de Abraão e Jacó que ouvimos na escola dominical? Eles entregavam o dízimo a Deus muito antes de existir a lei de Moisés.

Pedro: Ah, sim! Lembro que eles faziam isso para agradecer a Deus pelas bênçãos que recebiam.

João: Exatamente! O dízimo é uma forma de reconhecermos que tudo o que temos vem de Deus. É como se disséssemos: "Senhor, obrigado por tudo o que o Senhor nos dá. Queremos devolver uma parte para abençoar a Sua obra."

Ana: Entendi! Mas, e na época de Moisés, o dízimo não era uma lei?



João: Sim, era um mandamento. Mas, mesmo sendo uma lei, a motivação por trás do dízimo ainda era a gratidão. O povo entregava o dízimo para sustentar os levitas, que cuidavam do templo, e para ajudar os pobres e necessitados. Era uma forma de demonstrar amor a Deus e ao próximo.

Pedro: E hoje em dia? O que acontece com o dízimo que entregamos?

Maria: O dízimo é usado para manter a igreja funcionando, pagar as contas, sustentar os pastores e missionários, e ajudar as pessoas que precisam. É uma forma de contribuirmos para o Reino de Deus aqui na terra.



Ana: Nossa, que legal! Nunca tinha pensado nisso dessa forma.

João: E sabe de uma coisa? Quando entregamos o dízimo com um coração grato, Deus se alegra e derrama bênçãos sobre nós.

Pedro: Que bênçãos, pai?

João: Bênçãos de todos os tipos! Deus pode nos abençoar com saúde, paz, prosperidade, sabedoria... Mas a maior bênção é saber que estamos agradando a Deus e fazendo a diferença na vida de outras pessoas.



Maria: Lembram daquela vez que estávamos passando por dificuldades financeiras e mesmo assim continuamos dizimando? Logo depois, recebemos uma proposta de emprego inesperada que resolveu nossos problemas!

Ana: É verdade! Deus sempre cuida da gente!

João: (Com os olhos marejados) É isso mesmo, meus filhos. O dízimo é uma prova da nossa fé e confiança em Deus. É um ato de amor e gratidão que nos aproxima dEle e nos faz experimentar Suas bênçãos em nossas vidas.



(A família se abraça, emocionada pela conversa e pela certeza de que Deus está no controle de suas vidas. Eles aprenderam que o dízimo não é apenas uma obrigação, mas uma oportunidade de expressar gratidão, amor e fé em Deus, e que essa atitude de coração aberto os leva a experimentar a abundante graça e provisão divina.)

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